Acolhidos passam a praticar pilates no Lindolfo Monteiro

A prática de atividade física tem sido uma aliada para as pessoas em situação de rua abrigadas no estádio Lindolfo Monteiro há quase 50 dias. Os acolhidos estão recebendo aulas de pilates, com o objetivo de proporcionar bem-estar e incentivar a permanência deles no espaço, evitando que retornem ao ambiente das ruas, onde estariam mais vulneráveis aos coronavírus.

Leandro de Sousa é uma das pessoas que está vivendo no abrigo. Ele diz que a prática de atividade física o tem ajudado a ser perseverante. “Eu vim para cá buscando uma mudança e aqui encontrei pessoas queridas que ajudaram a gente a ir para outro patamar. Com a atividade física, o dia a dia da gente está sendo bom, estamos crescendo mais, com outros pensamentos, outros planos de um dia sair daqui diferentes e deixar esse estresse das ruas. Cada dia aqui é uma vitória para gente, porque a gente está lutando, perseverando”, disse.

A educadora física Doralice Miranda faz parte da equipe multiprofissional que atua no Lindolfo Monteiro. Ela explica que usa o pilates como estratégia para tornar a prática de exercício mais acessível ao público. “Um caso isolado me surpreendeu, um dos acolhidos tem um problema em uma das pernas e perguntou se tinha alguma atividade que ele poderia fazer. Eu o coloquei na turma e mudei a minha estratégia de aula planejada para aquele dia. A partir daí comecei a dar aula de pilates, que é uma atividade que não requer tanto esforço físico e pode ser realizada por qualquer pessoa, até mesmo os mais impossibilitados”, afirma.

De acordo com Doralice, exercícios físicos também servem como uma terapia alternativa para trabalhar os sintomas de abstinência dos assistidos. “A atividade física proporciona melhoria na autoestima e na sensação de bem‐estar, proporciona prazer e relaxamento e, assim, interfere de maneira positiva no tratamento da dependência química. Ajuda ainda na redução das alterações neuroquímicas, do desejo e da compulsão, dos distúrbios do humor, dos níveis de estresse e reduz as dificuldades de relacionamento social e afetivo decorrentes do uso de drogas”, diz a professora.

Em condição de rua há cerca de seis meses, Carlos Vinícius fala das mudanças que já observou em si mesmo durante a estadia no Lindolfo. “Graças às atividades da professora a gente deixou o sedentarismo, a gente passou a se movimentar melhor, a ganhar um novo ritmo de vida, até nossa aparência mudou. Com as atividades que trouxe, ela nos propôs uma nova visão de vida, somos novas pessoas. Eu agradeço a oportunidade de estar aqui no Lindolfo Monteiro, eu saí das ruas e hoje estou me transformando em uma nova pessoa devidos às atividades e tudo o que é ensinado aqui”, declarou.

Além da assistência de abrigo, alimentação e saúde, também são realizadas atividades de lazer para que o tempo ocioso da estadia seja preenchido. O cronograma de atividades do abrigo é variado para atender a diversas preferências. Durante toda a semana, são ofertadas oficinas de pintura, artesanato, palestras educativas, leitura, jogos e atividades físicas. O assistente social responsável pelo abrigo, Edson Araújo, ressalta que as atividades propostas têm como principal foco combater a evasão às ruas.

“O que temos buscado com todas essas atividades é preencher ao máximo o espaço livre que eles têm lá dentro e sempre trazer algo benéfico para a saúde deles, como os exercícios, palestras sobre alimentação saudável e riscos do uso de drogas, até para combater a abstinência que eles vivenciam. Se eles não ocuparem a mente, tende a correr o risco de desistir da permanência no Lindolfo. Esse é nosso desafio, fazer com que eles permaneçam”, conclui.

A estrutura montada no Estádio Lindolfo Monteiro pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) conta com alojamentos, refeitório, banheiros, atendimento em saúde, assistência social e estande administrativo. Atualmente, existem 39 pessoas acolhidas no abrigo, mas o espaço possui capacidade para atender até 75 pessoas.

A Prefeitura de Teresina já atende a população em situação de rua através de vários projetos de assistência social e saúde, por meio do Albergue Casa do Caminho, Centro Pop e o Consultório na Rua. Com a disseminação da Covid-19, a intenção é que essa população permaneça em um espaço adequado com estrutura e segurança necessária e possa estar resguardada dos ricos de contágio.

 

Idosos de abrigo mantém vínculos com familiares por meio de vídeochamadas

Para amenizar distâncias e preservar os vínculos familiares, idosos residentes das instituições de longa permanência de Teresina passaram a interagir com parentes por meio de vídeochamada. Em razão das restrições de prevenção ao coronavírus, a estratégia foi adotada para manter o contato dos idosos com os familiares após a suspensão de visitas nas unidades.

Em todo o mundo, a internet tem sido uma aliada importante para conectar as pessoas em tempos de distanciamento físico, entretanto, para os idosos do Lar de Sant’Anna esse contato via internet tem sido ainda mais especial. Com os cuidados redobrados para a preservação da saúde física e mental dos idosos no abrigo, a distância tem sido driblada com a tecnologia.

Acostumados com visitas de familiares, voluntários e a presença afetuosa dos muitos funcionários da instituição, os idosos do Lar de Sant’Anna tiveram sua rotina readaptada à nova realidade e, segundo Francisco Soares Neto, psicólogo da unidade, as ligações por vídeo têm sido bastante valiosas para os idosos do abrigo.

“É muito importante para o idoso estar conectado com a família de alguma forma. Esse contato melhora a sociabilidade, a interação com a equipe profissional e com os outros idosos. Eles ficam mais bem humorados, mais dispostos, isso faz muito bem para o emocional deles. É uma forma de manter o elo, já que não se pode ver presencialmente, tocar ou abraçar. Não romper esse vínculo é positivo para minimizar a saudade, a depressão e a tristeza que estão presentes no dia-a-dia de alguns deles”, explica o psicólogo.

A coordenadora técnica do Lar de Sant’Anna, Maria Zenaide, conta que os funcionários estão trabalhando por escala e atendendo a protocolos rigorosos de higienização. “Todos os funcionários tem trabalhado com aventais, máscaras e toucas. Os idosos sentem muito a falta da movimentação aqui, dos familiares, dos grupos de voluntários que sempre animavam, das festinhas. Eles começaram a sentir falta desses momentos de interação e também dos funcionários”, diz a coordenadora.

“Procuramos manter esse contato para aqueles idosos que têm parentes. É uma estratégia que foi solicitada pelos protocolos e que nós acatamos cem por cento porque achamos altamente valiosa, seja através das chamadas de vídeo ou mesmo por vídeos gravados e ligações. A gente sente que naquele momento eles se sentem reanimados, ficam estimulados, para alguns é como se o familiar tivesse vindo aqui, são muitas experiências interessantes”, finaliza Maria Zenaide.

A equipe multiprofissional que atua no abrigo é formada por terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e assistente social e passou a seguir todos protocolos da Secretaria Municipal de Saúde, Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária desde o último dia 16 de março.

O Lar de Sant’Anna faz parte da rede municipal de assistência social e acolhe a 17 idosos. A rede socioassistencial executa as políticas públicas de atendimento à pessoa idosa, que têm como princípio zelar pelas condições de dignidade, bem-estar e proporcionar o envelhecimento saudável. A instituição é administrada pela Ação Social Arquidiocesana (ASA) e mantida pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi).

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