O secretário Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas, Samuel Silveira, esteve reunido na manhã desta segunda-feira (24) com agentes de proteção social, representantes do Conselho Tutelar e gerencias de direitos humanos e proteção básica da Semcaspi para definir ações que coíbam a prática da mendicância pelos migrantes venezuelanos com uso de crianças. A reunião foi realizada no auditório da instituição.
De acordo com o secretário, a prefeitura tem realizado, juntamente com as organizações sociais, toda a assistência legal necessária aos venezuelanos, como o acolhimento em abrigos, cobertura vacinal, alimentação, higiene e assistência social, e que mesmo assim os migrantes tem utilizado crianças para pedir esmolas nos sinais da capital, prática essa condenada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela legislação municipal.
“A mendicância põe em risco a vida das crianças e é contra nosso código de lei. Por isso, vamos realizar vistorias nos sinais de Teresina para encaminhar as crianças que estão pedindo esmolas de volta aos abrigos em que estão acolhidas. Além disso, contaremos também com tradutores para dialogar com os migrantes venezuelanos e orientá-los sobre nossa legislação”, reforça o secretário Samuel Silveira, explicando que a população pode fazer as doações através de entidades de direitos humanos como a Caritas e o grupo MP3.
Segundo Deusa Fernandes, coordenadora da Gerência de Direitos Humanos, os venezuelanos devem compreender que no nosso país, a criança é uma prioridade absoluta, a ser protegida inclusive das situações a que eles estão as expondo. “Estamos definindo estratégias que não infrinjam em nenhum direito deles enquanto refugiados no nosso município”.
Durante a reunião, foi apontada a resistência por parte dos venezuelanos frente aos agentes de proteção social, reconhecidos pelo fardamento. O idioma também foi destacado como grande barreira. “Eles não compreendem nossa língua, nem tem apenas um idioma definido. São índios, que vem de tribos diferentes e falam dialetos, o que dificulta a situação. Por isso a necessidade de contarmos com intérpretes que possam facilitar esse processo”, continua Deusa.
A Conselheira Tutelar da 1ª Vara da Infância, Lucileide Alves Magalhães, destacou a retirada dessa população das ruas é a prioridade, visto a situação de risco pessoal e social que elas oferecem aos refugiados. “Queremos deixar claro para a população, que não deve se dar esmola, pois eles estão sendo assistidos. Também estamos implementando um projeto voltado para a garantia de saúde deles, em especial as crianças, que precisam ser vacinadas”.
“Existem nos abrigos crianças gripadas, que precisam de atendimento e até antibióticos. São casos medicamentosos, em que alguns refugiados não estão aderindo ao tratamento e nem dando os medicamentos às crianças. Precisamos ir a fundo em relação a isso”, finaliza a conselheira.